Artigo da aluna Ana Julia Rocha Reis, da Escola do Sebrae - Escola do Sebrae
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Artigo da aluna Ana Julia Rocha Reis, da Escola do Sebrae

Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018

A aluna do 2º ano A, da Escola do Sebrae, Ana Julia Rocha Reis, escreveu um relato sobre a experiência vivida durante a visita à Asmare e ao Restaurante Popular de Belo Horizonte. A visita faz parte de um projeto interdisciplinar da Escola, com a proposta de oferecer aos alunos uma vivência externa ao ambiente escolar, proporcionando o contato com outras realidades e incitando uma reflexão crítica e empreendedora.

Ana Julia Rocha Reis - Escola do Sebrae

Ana Julia Rocha Reis – Escola do Sebrae

“Com o objetivo, pelo menos para mim, bem-sucedido de nos mostrar um mundo fora do nosso, os professores da Escola do Sebrae propuseram uma visita diferente de tudo que havíamos feito. Em uma escola de empreendedorismo e administração, o lado humano e o crescimento pessoal são tão importantes quanto fechar um balanço. E hoje esse lado foi despertado como nunca havia sido! Pela manhã, saímos da EFG em direção ao ônibus. Não um ônibus fretado que nos levaria ao destino. Mas ônibus, transporte público usado por milhares de pessoas para as mais diversas finalidades. Pagamos a passagem como todas as pessoas e seguimos em direção à estação de metrô. Vivenciamos a realidade de trabalhadores que acordam cedo e enfrentam transportes lotados todos os dias. Após um trajeto de aproximados 50 minutos no metrô, estávamos prontos para nossa próxima parada, a Asmare. Localizada na Avenida do Contorno, essa instituição é caracterizada por dar oportunidades às pessoas com aquilo que a maioria chama de lixo. E conversando com um dos trabalhadores da Asmare e vendo seu ambiente de trabalho, realmente nada parece fazer sentido. Mas quando se enxerga além, naquele local, existe muito mais do que oportunidades. Existe oportunidades, existe dignidade, existe respeito, existe pessoas que tornam o lixo de muitos sua própria sobrevivência. Sim, sobrevivência.

Um dos trabalhadores, ao ser questionado sobre a crise que vivemos há alguns bons anos no Brasil, e se houve impactos diretos no seu trabalho dentro da Asmare, respondeu com um sorriso meio torto:

“Olha, pobre já nasce na crise”. Eu, que estava ao lado e ouvi a história daquele senhor contada com humildade, afirmei que a “crise” que ele se referia se tornou pequena diante de tanta riqueza de alma. Com o mesmo sorriso que ele nos recebeu, ele disse adeus e um “Vai com Deus” e eu retribui com um sorriso de gratidão pelos infinitos ensinamentos em uma conversa de 20 minutos.

Saímos de lá e seguimos em direção ao Restaurante Popular. Com os portões ainda fechados, dezenas de pessoas já estavam aguardando. Ao entrar na fila, juntamente com algumas amigas, fui abordada por um homem pedindo que completássemos o dinheiro para que ele almoçasse. Pedia a contribuição de apenas R$0,80. Uma amiga tirou as moedas do bolso e logo em seguida eu coloquei mais R$2,00 em suas mãos. Ao contar as moedas o homem nos disse: “É muito dinheiro, não precisa de tudo isso não moça” e estendeu a mão para que eu pegasse as moedas de volta. Eu insisti e lhe disse que era o almoço de hoje e o de amanhã também. Ele agradeceu e entrou na fila, aliviado, por ter a certeza que iria comer.

Após entrarmos no restaurante e, novamente, em uma fila para servir, observamos um senhor com uma vasilhinha branca de plástico. Ele estava almoçando mas colocava a comida na vasilha provavelmente para dividir com mais alguém. Sensibilizadas com a cena, eu e minhas amigas pegamos nosso almoço e sentamos em uma das mesas. Conhecemos um moço, de aproximadamente 19 anos e ele nos contou um pouco da sua história, admito, muito distante da nossa. Acabamos de comer e, ao levar nossa bandeja ao lugar destinado, um senhor apontou para o prato de uma amiga que não havia comido tudo e pediu, gentilmente, que ela lhe desse a comida que havia sobrado. Ao pegar a bandeja o senhor comeu com o maior gosto do mundo. Com um brilho no olho e um sorriso de gratidão. Depois de toda essa aventura, aprendizados e reflexões, retornamos ao Sebrae.

E agora falo por mim: como essas pessoas são fortes. Como são felizes. Como são vitoriosas. Como buscam oportunidades em todas as coisas. Como são gratas. E deixo aqui meu muito obrigada a todos e todas que cruzaram o meu caminho hoje. Muito obrigada por me ensinarem que para a gente ser feliz não precisamos de muito. Muito obrigada por me fazerem olhar o lado positivo dessa experiência que poderia ter sido algo triste. Obrigada por me mostrarem que uma realidade diferente pode ser tão distante mas ao mesmo tempo tão perto de nós. Obrigada. Vocês mudaram o pensamento e o coração de uma pessoa hoje, mesmo sem saber.”

 

*Artigo de autoria da aluna do 2º ano A da Escola do Sebrae, Ana Julia Rocha Reis. Reprodução do artigo autorizado pela aluna.

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Escola do Sebrae visita Asmare e Restaurante Popular

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